IMERSÕES CRÍTICAS
CINEMA PÓS-NOIR E AS CONTRADIÇÕES DO SENSÍVEL
Resumo
Este artigo examina como quatro filmes contemporâneos — Drive (2011), The Handmaiden (2016), Nightcrawler (2014) e Under the Skin (2013) — reformulam legados do cinema noir ao privilegiar a estética dos afetos. Partindo de uma reconceptualização do "pós-noir" como modo de produção sensível em vez de categoria genérica fixa, e fundamentado na fenomenologia de Merleau-Ponty e nas teorias do afeto (Massumi, Brennan, Sobchack, Marks, Ahmed), analisa-se como esses filmes deslocam o foco do enredo para atmosferas sensoriais que envolvem corpo, espaço e som. Argumenta-se que o pós-noir opera como "laboratório de percepção" onde a emoção é experimentada antes de ser interpretado, refletindo tensões entre imersão estética e condições de produção neoliberais. A análise comparativa evidencia estratégias distintas de mobilização afetiva: da contenção melancólica ao desconforto ético, do erotismo tátil à alienação cosmica.
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