PERENES AMORES DE PEDRO E INÊS: DO ROMANCE DE ROSA LOBATO DE FARIA (2001) AO FILME DE ANTÓNIO FERREIRA (2018)

Ana Alexandra Seabra de Carvalho

Resumo


Este estudo visa comparar o romance A Trança de Inês (2001) de Rosa Lobato de Faria com a sua adaptação ao cinema por António Ferreira no filme intitulado Pedro e Inês (2018). De novo se recria o mito do amor impossível e perene deste célebre par da História de Portugal, mas agora vivido em três épocas diferentes. No presente (1963-2006), Pedro Santa Clara (Bravo, no filme) apaixona-se perdidamente por Inês (de) Castro; porém, tal como no passado sucedera ao amor entre o Infante D. Pedro e a donzela galega (1320-1367), também esta paixão está condenada à morte e à loucura. Internado numa clínica psiquiátrica, Pedro tanto se recorda de ser o protagonista real do século XIV, como, numa espécie de “memória-ao-contrário”, se apercebe de que a sua história se amalgama com a de Pedro Rey, agora nos séculos XXI-XXII (2084-2105), também ele perdidamente enamorado de Inês (Pires) de Castro, mas cujos amores são igualmente proibidos por pertencerem a estratos sociais opostos, impedidos de casarem e procriarem. O filme segue bem de perto o espírito e a letra da obra literária, introduzindo, contudo, algumas alterações mais consentâneas com as exigências (nomeadamente financeiras) da Sétima Arte, mas preservando o sentido da perenidade das grandes paixões e o tom poético da escrita de Rosa Lobato de Faria, tanto através da cativante voz off do narrador-protagonista (Pedro), como da excelência estética da música e da fotografia.

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